quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Pirâmides: Justiça brasileira pede informações sobre Telexfree americana

"Pirâmides: Justiça brasileira pede informações sobre Telexfree americana

Negócios nos Estados Unidos são responsáveis pelo patrocínio ao Botafogo, anunciado em 9 de janeiro; donos são os mesmos de empresa bloqueada no Brasil

Vitor Sorano - iG São Paulo 
Divulgação/Botafogo/Vitor Silva/SSPress
Wanzeler (seg. da direita para a esquerda): responsável pelas empresas no Brasil e nos EUA
Os sócios da Telexfree terão de apresentar à Justiça brasileira documentos sobre a sede do negócio nos Estados Unidos. A decisão, divulgada nesta quarta-feira (15), coloca em evidência a relação da empresa americana, patrocinadora do Botafogo, com seu braço no Brasil, que teve as atividades bloqueadas em junho de 2013 por suspeita de ser uma pirâmide financeira.
A juíza Thaís Khalil, da 2ª Vara Cível de Rio Branco, deu dez dias para que sejam apresentados os documentos da Telexfree, INC. A unidade é indicada como sede da Telexfree Internacional, que assinou o contrato com o Botafogo.
Como o iG mostrou em março de 2013, os responsáveis pela Telexfree, INC. são o brasileiro Carlos Wanzeler e o americano James Matthew Merrill, que também eram sócios da Ympactus, quando a empresa foi acionada judicialmente. 
Apesar disso, Wanzeler tentou separar uma coisa da outra ao anunciar o patrocínio ao Botafogo, em 9 de janeiro.
"O acordo com o Botafogo foi fechado com a Telexfree Internacional, não tem nada a ver com a Ympactus no momento", disse Carlos Wanzeler,  diretor e tesoureiro da Telexfree, INC. e, à época do pedido de bloqueio, sócio administrador da Ympactus.
Além da Telexfree, INC., Wanzeler, Merrill e Carlos Costa – também sócio da Ympactus – abriram nos EUA a Telexfree, LLC. Mas, segundo André Andrade, representante da Telexfree Internacional no Brasil, essa segunda empresa só foi criada para fins tributários.
Alcance difícil
Segundo Catarina Alves, do Peixoto e Cury Advogados, dificilmente a Telexfree, INC. poderá ser afetada pela Justiça brasileira. A empresa não é pare na ação que pede a dissolução do negócio no Brasil, e qualquer pedido de apreensão de bens dependeria de uma homologação da Justiça americana.
Seria difícil também impedir que a Telexfree cotinue a atuar no Brasil – como quer o Ministério Público do Acre (MP-AC) – por meio de um site estrangeiro.
"Como que eu, aqui no Brasil, vou fazer para uma empresa de lá parar de funcionar?", questiona a advogada. 
Multa de R$ 10 mil
Além de pedir informações sobre a Telexfree, INC., a juíza Thaís Khalil impôs uma multa de R$ 10 mil a Wanzeler por litigância de má-fé. Isso porque os sócios afirmaram que não têm acesso ao site, aos servidores e ao datacenter do negócio.
Para a juíza, tal alegação é falsa, uma vez que o próprio Wanzeler é quem registrou o sitewww.telexfree.com, por onde são feitos os cadastros da empresa.
A penalidade por litigância de má-fé é a terceira a ser aplicada no caso Telexfree. No início do mês, a empresa recebeu duas multas por atrasar o andamento dos processos que enfrenta na Justiça do Acre: o pedido provisório de bloqueio e a ação que pede a dissolução do negócio e a devolução do dinheiro aos divulgadores.
A juíza Thaís também deu a Wanzeler cinco dias para que forneça senha de acesso ao banco de dados que armazena informações relativas ao cadastro e movimentação das contas dos divulgadores.
Procurados, os representantes da Telexfree não responderam imediatamente ao pedido de comentário da reportagem. 
Carlos Costa, diretor de marketing da Telexfree, anuncia recuperação judicial da empresa, em 20 de setembro de 2013. Foto: Reprodução
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    http://economia.ig.com.br/telexfree/2014-01-16/piramides-justica-brasileira-pede-informacoes-sobre-telexfree-americana.html. 16/1/2014

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