“Mau
tempo impede operações de busca após naufrágio na Itália
Por iG
São Paulo | 04/10/2013
13:58
Texto
Testemunha relata que imigrantes se agarraram a garrafas vazias para
conseguir boiar até a chegada do resgate
O mar agitado impediu nesta sexta-feira (4) os
mergulhadores de realizar operações de buscas para recuperar mais corpos de
imigrantes que morreram no naufrágio de um barco superlotado na costa da
Sicília, na Itália, em uma das maiores tragédias da crise de imigração na
Europa.
Até agora, as equipes de resgate recuperaram 111
corpos e esperam encontrar mais dentro da embarcação e no entorno. Depois que
155 passageiros foram resgatados com vida na quinta, fortes ventos e ondas de
um metro de altura impossibilitaram que os 40 mergulhadores recuperassem os
corpos com segurança. Há pouca esperança de que algum dos cerca de 500
passageiros esteja vivo.
Bandeira
preta com a palavra "Vergonha" tremula no porto da ilha de Lampedusa,
no sul da Itália
"Ainda que as condições do mar permaneçam
ruins, nossos homens estão preparados para mergulhar se uma oportunidade segura
surgir", disse o porta-voz da guarda costeira Filippo Marini.
Uma bandeira preta com a palavra
"Vergonha" foi pendurada no porto da pequena ilha de Lampedusa, que
todos os dias recebe centenas de imigrantes africanos que deixam seus países de
origem em busca de uma vida melhor na Europa. A tragédia provocou um debate
intenso sobre a política de imigração na Europa.
Segundo uma testemunha relatou à agência Associated
Press, os sobreviventes do naufrágio se agarraram a garrafas vazias para não se
afogarem. O residente de Lampedusa Vito Fiorino disse que foi o primeiro a ir
ao encontro das dezenas de imigrantes que estavam no mar durante sua expedição
de pescaria na manhã de quinta-feira.
Alguns não tiveram forças de pegar os coletes
salva-vidas que boiavam no mar e, segundo os sobreviventes, eles lutaram pela
vida durante três horas. "Foi uma cena de filme, algo que eu espero nunca
mais ver na vida", disse Fiorino à Associated Press.
Fiorino disse que alertou a guarda costeira e os
barcos que estavam nas proximidades por volta das 7h de quinta. Ele e seus
amigos resgataram 47 imigrantes.
O papa Francisco caracterizou esta sexta-feira como
um "dia de lágrimas", denunciando o sistema "selvagem" que
faz com que pessoas deixem suas casas em busca de uma vida melhor, sem nem se
preocupar com a possível morte no processo.
O barco de 20 metros de comprimento levava
imigrantes da Eritreia, Gana e da Somália, segundo a Guarda Costeira. Um
incêndio teve início quando um dos passageiros ateou fogo em um pedaço de
tecido para tentar atrair a atenção de um navio que passava. Mergulhadores da
Guarda Costeira encontraram na quinta-feira os destroços da embarcação no fundo
do mar.
Autoridades estimam que cerca de 300 morreram no
naufrágio. Segundo oficiais, apenas 155 pessoas das cerca de 450 a 500 que
estavam a bordo sobreviveram.
Navios da Guarda Costeira italiana, barcos de pesca
e helicópteros da região ajudaram nas buscas.
Foi um dos mais mortais acidentes na
conhecida travessia que milhares fazem todos os anos, buscando uma nova vida de
prosperidade na União Europeia. Traficantes cobram centenas de dólares por
pessoa pela viagem a bordo de barcos superlotados que não contam com coletes
salva-vidas para todos.
Centenas de imigrantes chegam à Costa italiana
todos os dias, particularmente no verão, quando o mar está geralmente mais
calmo. Lampedusa, a 113 quilômetros da Tunísia, tem sido um centro de imigração
ilegal.
Com AP
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