O vínculo empregatício de uma terceirizada com o Itaú Unibanco S.A. foi mantido pela Oitava Turma do Tribunal Superior do Trabalho, que não conheceu de recurso do banco contra a decisão que reconheceu o vínculo, proferida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (MG).
Contratada
em maio de 2010 pela A3 Consultoria Empresarial Ltda. para prestar
serviços ao Itaú, a empregada ajuizou reclamação trabalhista na 24ª Vara
do Trabalho de Belo Horizonte requerendo o reconhecimento de vínculo
diretamente com o banco e os direitos da categoria dos bancários.
Segundo ela, sua carteira de trabalho continha registro de contratação
pela empresa interposta, mas durante todo o período exerceu atividades
exclusivamente bancárias, de segunda a sexta-feira, de forma exclusiva e
pessoal. Ela argumentou, perante o juiz, que era evidente sua
subordinação jurídica às normas e diretrizes do banco, uma vez que
estava condicionada às diretrizes traçadas pela instituição.
Com
base nos depoimentos da própria autora da reclamação, o juiz de
primeiro grau negou o pedido. Segundo ele, a trabalhadora fazia apenas a
venda de máquinas de cartão de crédito, não realizando, portanto,
atividades típicas de bancário, sequer se reportando a superior
hierárquico do banco-réu. Ela então recorreu ao TRT-MG sustentando que
sua atividade não se resumia à venda de máquinas, e que também fazia
abertura de contas e vendas de seguros.
Para o Regional, a terceirização, nesse caso, não foi lícita. O
acórdão do TRT frisou que, conforme os autos, a trabalhadora, embora
contratada pela A3, exerceu formalmente a função de promotora de vendas,
ofertando diversos produtos do banco. Os serviços prestados estão
intimamente ligados à atividade fim do banco, o que constitui prática
odiosa de intermediação de mão de obra, não tolerada pelo Direito do
Trabalho, registrou a decisão, que reconheceu o vínculo diretamente com o Itaú e a condição de bancária.
Pessoalidade e subordinação
Ao
questionar a condenação no TST, o Itaú Unibanco alegou que as
atividades da empregada seriam meramente acessórias, mas a Oitava Turma
não acolheu os argumentos da instituição. Ainda que se considerassem as
atividades como acessórias, a existência de pessoalidade e subordinação
não impediria a formação do vínculo empregatício com o tomador dos
serviços, nos termos da parte final da Súmula 331 do TST, item III,
afirmou em seu voto a relatora do caso, ministra Dora Maria da Costa.
O
verbete citado pela ministra diz que não forma vínculo a contratação de
serviços especializados ligados à atividade meio do tomador, desde que
inexistente a pessoalidade e a subordinação. A decisão pelo não
conhecimento do recurso foi unânime.
Processo: RR 137-81.2012.5.03.0024
Fonte: Tribunal Superior do Trabalho
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