quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

📱 Lei dos Influenciadores Digitais (Lei nº 15.325/2026): Quem é o profissional multimídia e quais os impactos jurídicos?

 



Aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a chamada Lei dos Influenciadores Digitais (Lei nº 15.325/2026) passou a movimentar intensamente as redes sociais, o mercado publicitário e o meio jurídico. Uma das principais dúvidas envolve quem pode ser enquadrado como profissional multimídia, profissão que passa a ter reconhecimento legal no Brasil.

Segundo a legislação, considera-se profissional multimídia todo aquele que exerce atividades de forma multifuncional, independentemente de possuir formação de nível superior ou técnico. O critério central não é o diploma, mas sim o exercício habitual das atividades ligadas à criação, produção, edição, disseminação e distribuição de conteúdo.

Esses conteúdos podem ser veiculados em diferentes meios eletrônicos e digitais de comunicação e entretenimento, como redes sociais, plataformas de vídeo, podcasts, sites, blogs e demais canais digitais.

Na prática, influenciadores digitais, criadores de conteúdo, produtores independentes e profissionais que atuam de forma contínua nesse ambiente digital passam a integrar formalmente essa categoria profissional.

 

⚖️ Análise Jurídica: Principais impactos da nova lei

A regulamentação da atividade traz reflexos relevantes em diversas áreas do Direito, exigindo atenção tanto dos criadores de conteúdo quanto das empresas contratantes.

1. Reconhecimento profissional e segurança jurídica

A formalização da profissão confere maior segurança jurídica às relações de trabalho e prestação de serviços, facilitando a celebração de contratos, a definição de direitos e deveres e a proteção contra práticas abusivas.

Também contribui para o fortalecimento da atividade como profissão legítima, inclusive para fins previdenciários, tributários e bancários.

 

📑 2. Relações contratuais e publicidade

Contratos de publicidade, parcerias, permutas e monetização tendem a se tornar mais rigorosos, exigindo:

  • Cláusulas claras sobre remuneração, prazos, entregas e direitos de imagem;
  • Definição de responsabilidades em caso de descumprimento contratual ou danos a terceiros;
  • Observância às normas do Código de Defesa do Consumidor (CDC), especialmente no que se refere à publicidade enganosa ou abusiva.

Influenciadores passam a responder solidariamente por eventuais danos causados aos consumidores quando participarem da divulgação de produtos ou serviços irregulares.

 

🛡️ 3. Responsabilidade civil e conteúdo digital

O profissional multimídia poderá ser responsabilizado civilmente por:

  • Divulgação de informações falsas ou ofensivas;
  • Violação de direitos de imagem, honra e privacidade;
  • Uso indevido de marcas, músicas, imagens e obras protegidas por direitos autorais;
  • Publicidade irregular, especialmente quando não houver identificação clara de conteúdo patrocinado.

A rastreabilidade digital facilita a produção de provas em eventuais demandas judiciais.

 

📊 4. Impactos trabalhistas e previdenciários

A regulamentação pode estimular debates sobre:

  • Existência ou não de vínculo empregatício com agências e plataformas;
  • Formalização como autônomo, MEI ou pessoa jurídica;
  • Contribuições previdenciárias e recolhimentos fiscais obrigatórios.

Cada modelo contratual deverá ser cuidadosamente analisado para evitar passivos trabalhistas e fiscais.

 

🔍 5. Compliance digital e boas práticas

A nova lei reforça a importância da adoção de boas práticas, tais como:

  • Transparência na identificação de publicidade;
  • Proteção de dados pessoais (adequação à LGPD);
  • Respeito às normas do CONAR;
  • Arquivamento de contratos e autorizações de uso de imagem;
  • Padronização de políticas internas para criação e publicação de conteúdo.

Empresas que contratam influenciadores também devem reforçar seus programas de compliance digital.

 

📌 Conclusão

A Lei nº 15.325/2026 representa um avanço na organização do mercado digital brasileiro, trazendo maior profissionalização, mas também ampliando responsabilidades jurídicas. Criadores de conteúdo e empresas devem se adaptar rapidamente para mitigar riscos legais e aproveitar as oportunidades decorrentes da regulamentação.

A orientação jurídica preventiva torna-se essencial nesse novo cenário.

✍️ Fonte: Via @midiamax

👩‍⚖️ Márcia Cristina Diniz Fabro Alves — advogada e professora particular.
Atendimento claro, acessível e para todos.
📞 Informações: (11) 2533-9036

 

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